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Mariana Ignatios - Publicado em 10-05-2018 13:00
Plantas invasoras são temas de pesquisas na UFSCar
Dalva Matos e os experimentos de Alternanthera na SGAS (Foto: Mariana Ignatios - CCS/UFSCar)
Dalva Matos e os experimentos de Alternanthera na SGAS (Foto: Mariana Ignatios - CCS/UFSCar)
Estudar plantas exóticas e invasoras é o foco da docente Dalva Maria da Silva Matos, do Departamento de Hidrobiologia (DHb) da UFSCar. "Somos cerca de 30 pesquisadores estudando o assunto, em parcerias entre universidades brasileiras e estrangeiras", conta a professora. As pesquisas coordenadas por ela, no Laboratório de Ecologia e Conservação, são realizadas juntamente com a Secretaria de Gestão Ambiental e Sustentabilidade (SGAS) da Universidade, onde os experimentos estão montados. Alguns projetos são financiados por órgãos como o Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), a Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp) e o Conselho Britânico.

A pesquisadora explica que a proposta é conhecer qual é o impacto ambiental, social e econômico de algumas plantas invasoras e, quando necessário, saber como reverter os prejuízos causados por elas. Também faz parte dos estudos saber como a fauna e a flora nativas se comportam em relação às invasoras, revelando possíveis mudanças na cadeia trófica e reorganizações que podem influenciar todo o ecossistema.

A planta exótica é aquela dada como proveniente "de fora" da flora original local onde se instalou, ou seja, não é autóctone do ambiente nativo. Em muitos lugares do mundo, as plantas exóticas causam desequilíbrios no ecossistema e são consideradas como espécies invasoras. Essas plantas, geralmente, são introduzidas como ornamentais, para controle de erosão, alimentação, exploração florestal ou mesmo por acidente. Dalva Matos conta que, entre os projetos que ela coordena atualmente, dois deles são sobre espécies nativas no Brasil que são invasoras em outros países, como a Alternanthera Philoxeroides, a erva de jacaré; e a Sphagneticola Trilobata, a margaridinha de jardim. 

O projeto sobre a Alternanthera Philoxeroides envolve pesquisadores da Universidad da Coruña (Espanha) e da Taizhou University (China). "Aqui no Brasil é uma planta discreta, não cresce muito, mas em vários países invade áreas úmidas, formando grandes touceiras. Por exemplo, essa espécie invade as plantações de arroz na China e também causa problemas na Europa e Estados Unidos", relata a docente. O objetivo do estudo é avaliar como a planta se desenvolve em diferentes países e também no Brasil. Além disso, descobrir como combatê-la, sem usar herbicida. "Por isso estamos procurando agentes biológicos que combatam a Alternanthera; queremos produtos extraídos de outras plantas para evitarmos agroquímicos", explica.

A coordenadora destaca outra pesquisa desenvolvida no Programa de Pós-Graduação em Ecologia e Recursos Naturais (PPGERN) da UFSCar, pela doutoranda Lilian de Mattos, e que tem por objetivo avaliar a influência da Cerejeira de Okinawa, originária do Japão e que foi trazida para o Brasil por sua beleza e importância cultural, mas que causa aparentemente um grande dano aos serviços ecossistêmicos, pois onde é plantada não nasce nada em volta. Em seu trabalho, Lilian de Mattos investiga a fitotoxicidade da cerejeira sobre as espécies nativas e também avaliará a sua influência na percolação da água no solo.

Outro caso estudado é o do lírio do brejo, originário da Ásia, e muito comum no Brasil. Esse é um trabalho das alunas de doutorado do PPGERN Rosane Costa, Driélli Vergne, Mariane Zanatta e Julia Estevão; da mestranda do PPGERN Amanda Pinheiro; e dos alunos de graduação do curso de Bacharelado em Ciências Biológicas Janderson Assendre, Márcia Martins, Larissa Moreira e Marcos Agua, orientados por Dalva Matos. 

A orientadora conta que há cerca de 15 anos realiza pesquisas sobre invasões biológicas. "Além das pesquisas, ofereço cursos para a população em geral poder conhecer mais sobre as plantas invasoras e o impacto que elas acarretam no ecossistema, na economia, na expansão de doenças, enfim, os malefícios que as acompanham. Muitas vezes a introdução de uma planta dessas em um ambiente acontece de forma totalmente inocente, mas se configura como crime ambiental", destaca a pesquisadora.

Para desenvolver as pesquisas, o grupo da professora Dalva Matos conta com vários parceiros da UFSCar e de outras instituições, entre eles: Raquel Stucchi Boschi, agrônoma da SGAS; Marcelo Nivert, Secretário Geral da SGAS; Gabriela Strozzi, engenheira agrônoma e técnica agropecuária da SGAS; Sérgio Mattos, docente do DHb; João Batista Fernandes, professor do Departamento de Química (DQ) da UFSCar, e sua equipe; Edson Wendland e Evaldo Espindola, docentes do Departamento de Hidráulica e Saneamento da Universidade de São Paulo (USP); Maria Tereza Grombone-Guaratini, professora do Instituto de Botânica da Secretaria do Meio Ambiente do Estado de São Paulo (IBt/SMA), além dos pesquisadores Talita Sampaio, da Escola Técnica Estadual de Amparo, e Rafael Xavier da USP; os professores Kátia Ferraz e Marcelo Labruna, também da USP; e os pesquisadores estrangeiros Anne Magurran, da University of St. Andrews, Wayne Dawson e Phil Stephens da Durham University.